Por François Silvestre
publicado no www.substantivoplural.com.br
Me permita a gramática o pronome enclítico, me permita Vieira o verso frágil, me permita Homero a curta conta, me permita Bandeira o desamor. Me permita Cecília o motivo da rosa, me permita Vandré o esquecer das flores, me permita Cascudo o gesto de amanhecer. Me permita Pessoa a alma pequena, me permita Zé Régio o não vou por aí, me permita Quintana a verdade esquecida. E me permita Dom Miguel de Unamuno, nos versos da dor, substituir sua Espanha. Não me doem as pernas, não me doem os braços, não me dói o coração. É o Rio Grande do Norte que me dói.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Poema de Dante Milano
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Alpha Blondy em Natal

Atenção nação regueira, vem ai uma das maiores expressões da reggae music do planeta. O africano Alpha Blondy pousa pela primeira vez em Natal para um show no próximo dia 16, no Largo da Rua Chile, na Ribeira. Natural da Costa do Marfim, ex-colônia francesa, Alpha Blondy é seguramente uma das vozes mais pulsantes do reggae contemporâneo, com sucessos estourados nos quatros cantos desse mundo velho novo.
O evento terá ainda a presença da lendária banda jamaicana The Gladiators, na estrada há mais 40 anos, atravessando formações e gerações, mas sempre segura no reggae raiz. Ingressos na Chilli Beans, do Midway Mall. A cidade tava mesmo precisando se balançar. Melhor impossível!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Poema de Jarbas Martins
Soneto do verão inaugural
Antes, bem antes que o verão estenda
seus panos nos varais e seus cajus
maturem o vão instante e antes que os
ventos se soltem e cantem a tua lenda,
bem antes que do céu o ouvido atenda
ao grito da gaivota que transluz,
salte o peixe do mar, no ar esplenda
o seu rastro veloz de escama e luz,
possa eu te amar em tua brônzea cama,
em nossas noites de paixão e jogo,
num entregar-se de dunas. sal e fogo,
murmúrios, quietudes, paz e drama,
condenado ao jardim de tuas delícias,
ao inferno (ateu céu), nossas primícias.
Antes, bem antes que o verão estenda
seus panos nos varais e seus cajus
maturem o vão instante e antes que os
ventos se soltem e cantem a tua lenda,
bem antes que do céu o ouvido atenda
ao grito da gaivota que transluz,
salte o peixe do mar, no ar esplenda
o seu rastro veloz de escama e luz,
possa eu te amar em tua brônzea cama,
em nossas noites de paixão e jogo,
num entregar-se de dunas. sal e fogo,
murmúrios, quietudes, paz e drama,
condenado ao jardim de tuas delícias,
ao inferno (ateu céu), nossas primícias.
Uma nação em perigo
Essa história da Receita Federal fornecer informações sigilosas de contribuintes a terceiros é um perigo para o estado de direito nacional. O governo federal tem o dever que apurar com o fato com rigor administrativo, mas ao que parece a coisa caminha para o banho-maria como de costume nesse país, principalmente, quando os interesses descambam para o lado político.
Quando, certa vez, o general e estadista francês, Charles de Gaulle, afirmou que o “Brasil é um país que não pode ser levado a sério”, nossos patriotas de boteco queimaram ruim. Décadas depois a história vai lhe dando razão.
Quando, certa vez, o general e estadista francês, Charles de Gaulle, afirmou que o “Brasil é um país que não pode ser levado a sério”, nossos patriotas de boteco queimaram ruim. Décadas depois a história vai lhe dando razão.
Prefeitura expulsa jornalistas de reunião
Mais uma da Prefeitura de Natal, que a cada dia vai descendo pelo ralo. Desta vez aconteceu no Salão Nobre (ou pobre) do Gabinete Municipal, quando os jornalistas Antonio Rocha, do jornal Tribuna do Norte, e Zenaide Castro, do Portal Nominuto.com, foram convidados a se retirar de uma reunião com os empresários de turismo da capital para discutir a aprovação da ZPA 7, e a viabilização de uma marina no rio Potengi. Os jornalistas estavam no local como convidados do presidente Conselho Curador do Natal Convention & Vistors Bureau, Fernando Bezerril.
Realmente constrangedor. Mas não é a primeira vez que a prefeitura mete os pés pelas mãos. Aliás, a falta de trato com os jornalistas tem sido uma marca da gestão Micarla de Souza, que por incrível que pareça é diplomada em comunicação social e dona de uma empresa de televisão.
O Território Potiguar é solidário aos colegas jornalistas.
Realmente constrangedor. Mas não é a primeira vez que a prefeitura mete os pés pelas mãos. Aliás, a falta de trato com os jornalistas tem sido uma marca da gestão Micarla de Souza, que por incrível que pareça é diplomada em comunicação social e dona de uma empresa de televisão.
O Território Potiguar é solidário aos colegas jornalistas.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
A era Lula
Por François Silvestre
Publicado no “Novo Jornal” de Natal-RN
Não adiantar espernear. Lula configurou uma era, queiram ou não. Diferentemente de JK, está empenhado na feitura do sucessor. Não é o mesmo Lula de São Bernardo, nem da Praça Craveiro Lopes. O Lula do Paço Municipal era outro; que se preparava para ser o exterminador do futuro e ninguém sabia. Só ele e Golbery do Couto e Silva. Nem o cardeal Paulo Arns, conhecedor das conversas do general com o metalúrgico, conseguiu decifrar o Lula daquele tempo. Nem Lula se conhecia.
Como estava dizendo, JK não se interessou pela sorte das eleições de sua sucessão. E esse desinteresse acabou por destruir as aspirações de voltar à presidência. E desaguou na pior de todas as ditaduras, que fez da de Vargas uma imagem pífia.
A desculpa de que Lott não venceria Jânio nem com o empenho de Juscelino, não procede. Mesmo sendo verdadeira a assertiva. O problema residia na escolha de um bom candidato. JK sabia da impossibilidade de ganhar com Lott. Mas poderia ganhar com outro. Inclusive fazer uma aliança com a UDN e impedir a candidatura de Jânio, que era mal visto pelos udenistas não lacerdistas. Lacerda bancou a chapa janista, na convenção. Teve dificuldade. Se o governo dá uma mãozinha, o candidato seria outro. E outro seria o resultado.
Mas JK queria voltar, em 65, como candidato da oposição. Seria imbatível. E praticamente abandonou a campanha. Ele e Lacerda pagaram com preço da morte política.
Lula faz diferente. Aprendeu com a História. Não quer devassa do seu governo feita por governo adversário. Aposta todas as fichas na eleição de Dilma.
A sorte de Lula, no futuro, fora do seu controle, dependerá de Dilma. Ela não me parece uma pessoa conformada em ser a costela de Adão. Leva jeito de dar rasteira até na serpente. Quando estiver naquela cadeira, nêgo se segure. A velha e surrada luta da criatura contra o criador.
Se eu estiver errado, também dependerá dela a sorte de Lula. Precisará fazer um excelente governo, sob pena de jogar nele o desgaste de um governo ruim. E aí será o paraíso desmascarado que expulsará Lula para o ocaso em Node, ao oriente do Éden. Se houvesse bolsa família quando Lula era garoto, em vez de metalúrgico teria sido apenas um cachaceiro de botequim. E o Brasil não teria a era Lula. Essa lição de Laurence Nóbrega é um achado.
Nossa estabilidade social é sustentada na esmola. Um mendigo faz mal a si mesmo. Uma nação mendicante faz mal à humanidade. Nunca sairá da pré-humanidade.
E aceita viver sem educação, sem saúde, sem segurança, sem cultura. As alternativas são desanimadoras. É o passado se oferecendo como opção. Na disputa, não há futuro. É o presente não convincente contra o passado que não convenceu.
Lula aposta no futuro que ele pensa ter edificado matando Getúlio, sepultando Jango e pondo flores no jazigo de Juscelino. Té mais.
Publicado no “Novo Jornal” de Natal-RN
Não adiantar espernear. Lula configurou uma era, queiram ou não. Diferentemente de JK, está empenhado na feitura do sucessor. Não é o mesmo Lula de São Bernardo, nem da Praça Craveiro Lopes. O Lula do Paço Municipal era outro; que se preparava para ser o exterminador do futuro e ninguém sabia. Só ele e Golbery do Couto e Silva. Nem o cardeal Paulo Arns, conhecedor das conversas do general com o metalúrgico, conseguiu decifrar o Lula daquele tempo. Nem Lula se conhecia.
Como estava dizendo, JK não se interessou pela sorte das eleições de sua sucessão. E esse desinteresse acabou por destruir as aspirações de voltar à presidência. E desaguou na pior de todas as ditaduras, que fez da de Vargas uma imagem pífia.
A desculpa de que Lott não venceria Jânio nem com o empenho de Juscelino, não procede. Mesmo sendo verdadeira a assertiva. O problema residia na escolha de um bom candidato. JK sabia da impossibilidade de ganhar com Lott. Mas poderia ganhar com outro. Inclusive fazer uma aliança com a UDN e impedir a candidatura de Jânio, que era mal visto pelos udenistas não lacerdistas. Lacerda bancou a chapa janista, na convenção. Teve dificuldade. Se o governo dá uma mãozinha, o candidato seria outro. E outro seria o resultado.
Mas JK queria voltar, em 65, como candidato da oposição. Seria imbatível. E praticamente abandonou a campanha. Ele e Lacerda pagaram com preço da morte política.
Lula faz diferente. Aprendeu com a História. Não quer devassa do seu governo feita por governo adversário. Aposta todas as fichas na eleição de Dilma.
A sorte de Lula, no futuro, fora do seu controle, dependerá de Dilma. Ela não me parece uma pessoa conformada em ser a costela de Adão. Leva jeito de dar rasteira até na serpente. Quando estiver naquela cadeira, nêgo se segure. A velha e surrada luta da criatura contra o criador.
Se eu estiver errado, também dependerá dela a sorte de Lula. Precisará fazer um excelente governo, sob pena de jogar nele o desgaste de um governo ruim. E aí será o paraíso desmascarado que expulsará Lula para o ocaso em Node, ao oriente do Éden. Se houvesse bolsa família quando Lula era garoto, em vez de metalúrgico teria sido apenas um cachaceiro de botequim. E o Brasil não teria a era Lula. Essa lição de Laurence Nóbrega é um achado.
Nossa estabilidade social é sustentada na esmola. Um mendigo faz mal a si mesmo. Uma nação mendicante faz mal à humanidade. Nunca sairá da pré-humanidade.
E aceita viver sem educação, sem saúde, sem segurança, sem cultura. As alternativas são desanimadoras. É o passado se oferecendo como opção. Na disputa, não há futuro. É o presente não convincente contra o passado que não convenceu.
Lula aposta no futuro que ele pensa ter edificado matando Getúlio, sepultando Jango e pondo flores no jazigo de Juscelino. Té mais.
Assinar:
Postagens (Atom)